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FELV: Virus da leucemia felina

Fonte: site do
Hospital Veterinário do Porto
 

A infecção pelo FeLV é uma afecção letal para os gatos, que pode ser devidamente prevenida. Todos os animais devem ser vacinados regularmente.

O Vírus da Leucemia Felina (FeLV) é um agente infecto-contagioso que geralmente se transmite através de saliva infectada, entre gatos que sejam co-habitantes e que portanto partilhem as mesmas camas e taças de comida ou água, ou que lutem entre si (penetrando o vírus pelas feridas resultantes). A situação que representa maior potencial de risco de transmissão é a dos gatos ou de casas acolhendo muitos indivíduos, nos quais os animais se encontram confinados a espaços limitados e em situação de sobrelotação. O vírus provoca uma doença que é geralmente fatal, tanto pela formação de tumores malignos, como pela imunossupressão (incapacidade para combater infecções), que caracteristicamente se complica com infecções secundárias. O vírus sobrevive apenas alguns dias no meio ambiente e é facilmente destruído pelos detergentes e desinfectantes comuns. Assim, é o contacto directo entre indivíduos a forma de transmissão mais importante que envolve maior risco.

A maioria dos gatos infectados pelo FeLV morrem num período de cerca de 2 a 3 anos após infecção. O problema mais frequentemente encontrado é a depressão do Sistema Imunitário, o que torna o organismo vulnerável a toda uma série de infecções secundárias oportunistas. Os animais podem apresentar abcessos persistentes e recorrentes, infecções crónicas da boca, doença respiratória crónica, diarreia e perda/falta de apetite. O vírus pode também deprimir os percursores dos glóbulos vermelhos e glóbulos brancos, que são libertados a partir da medula óssea. A depressão da produção dos glóbulos vermelhos provoca anemia. A depressão da produção de glóbulos brancos, células com um papel essencial na prevenção da invasão e proliferação bacterianas permite portanto o desenvolvimento de infecções que não podem assim ser controladas pelo organismo.

O aparecimento de tumores malignos é uma das maiores preocupações em gatos infectados pelo FeLV. Este vírus foi inicialmente detectado em alguns gatis na Escócia, em 1964, onde se presenciou a uma “epidemia” de cancro. Descobriu-se mais tarde que muitos dos gatos infectados pelo vírus desenvolviam, num período de meses a anos, tumores malignos das células dos linfonodos e da medula óssea. Quando estas células tumorais se encontram no sangue, o cancro toma a designação de Leucemia. Estes tumores podem também ser encontrados em diversos locais do organismo, incluindo a medula óssea, tórax, rins, fígado e tracto gastrointestinal, tomando nestes casos a designação de Linfoma.

Não existe neste momento um tratamento que permita eliminar o FeLV; apenas é possível assegurar os cuidados paliativos de suporte e o controlo das infecções bacterianas secundárias através do uso de antibióticos. Pode também recorrer-se à Quimioterapia para controlar por alguns meses a um ano (ou mais, nalguns casos), os tumores malignos induzidos pela doença.

Felizmente existem hoje em dia vacinas bastante eficazes na prevenção da infecção por este vírus. Os gatos jovens são mais susceptíveis à infecção do que os gatos adultos, devendo por isso ser vacinados antes de entrarem em contacto com indivíduos possivelmente portadores do FeLV. A recomendação actual é que se faça uma primeira vacinação depois das 9 semanas de idade e uma segunda dose de reforço 3 semanas a 1 mês depois; para gatos em situações de elevado risco, é altamente recomendável a realização das doses de reforço o mais cedo possível.

Estão disponíveis vários testes sanguíneos que permitem ao veterinário identificar rapidamente os indivíduos infectados pelo FeLV. Os gatos que vivem em casas com vários outros co-habitantes felinos devem ser todos sujeitos a este despiste, para assegurar que nenhum é portador do FeLV, e portanto um risco para a comunidade. Todos os gatos estranhos que se pretenda introduzir em casa, devem ser mantidos sob quarentena por um período de 3 meses e testados por 2 vezes para o FeLV, antes de serem colocados junto dos outros indivíduos. Testar todos os animais da casa/gatil periodicamente e prevenir a entrada de animais infectados é uma forma eficaz de criar um ambiente seguro e livre do FeLV, onde a vacinação não chega assim a ser necessária.

Atenção!
Cada caso é um caso e estas são apenas recomendações genéricas sobre a doença, não substituindo em caso algum as recomendações e/ou medicação do seu veterinário. Aconselhamos que se dirija ao seu veterinário caso suspeite que algum sintoma por parte do seu animal de estimação relativamente a esta ou outra doença.